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NOTÍCIAS DE CAMPO VERDE Sexta-feira, 29 de Outubro de 2021, 14:33 - A | A

Sexta-feira, 29 de Outubro de 2021, 14h:33 - A | A

DENÚNCIA

Moradora de Campo Verde pode ter morrido devido à demora na transferência para hospital de referência

Elizangela Barcellos Pereira, ficou nove dias aguardando uma vaga no Hospital Regional

Da Redação

Na semana passada, foi exposta durante audiência extrajudicial, realizada pelo Ministério Público, a atual situação do Hospital Regional de Rondonópolis que, segundo denúncias, não vem atendendo a demanda nem mesmo de pacientes em estado grave. A exposição do caso, trouxe à tona o drama vivido por uma moradora de Campo Verde que pode ter morrido, devido à demora para ser transferida para o hospital de referência.

A situação da unidade de saúde, que é referência para atendimento de pacientes graves da região sul, foi relatada por duas funcionárias, que disseram que mesmo após fechar o atendimento da Covid-19 há cerca de dois meses, o HR não estaria recebendo a demanda de pacientes atual e há denúncias de mortes por falta de atendimento.

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Uma das pacientes que aguardava na fila era a moradora de Campo Verde Elizangela Barcellos Pereira. Segundo o que a equipe do Jornal O Diário apurou no município, a paciente deu entrada no Hospital Municipal Coração de Jesus no dia 14 de setembro com diagnóstico de fratura de vertebra - AL1, foi internada e imediatamente foi solicitada sua transferência para Rondonópolis por se tratar de lesão de alta complexidade, e pelo fato de no município de Campo Verde não ter um profissional neurocirurgião.

Posteriormente foi avaliado através de tomografia que havia uma protrusão óssea, e que o tratamento indicado seria somente para a alta complexidade.

A paciente ficou internada no HMCJ em um leito de enfermaria com todo suporte clinico necessário, todos os dias em que passou internada foi realizada a atualização do boletim de transferência, que era de extrema urgência.

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Hospital Regional de Rondonópolis

 

Elizangela aguardou por nove dias quando enfim, no dia 23, foi transferida, ficando então sob os cuidados médicos do Hospital Regional, onde morreu no dia 24. A causa da morte apontada, foi uma embolia pulmonar grave, muito provavelmente causada pelo tempo que ficou na mesma posição. Na denúncia as funcionárias do hospital relataram que a paciente ficou deitada em uma “prancha rígida, totalmente imobilizada aguardando vaga”, versão contestada pela direção do hospital. A causa da morte e a relação com o tempo de espera seguem em investigação.

Além da morte da campo-verdense, existem denúncias de filas de pacientes da ortopedia, falta de pagamento de salários à equipe médica, bem como equipamentos médico-hospitalares sem condições de uso. A situação é precária, e já havia sido denunciada, inclusive por autoridades do próprio município que cobraram soluções do Governo do Estado.

Segundo as informações das trabalhadoras que atuam na Central de Regulação do Município, a região tem hoje uma fila com 81 pacientes aguardando cirurgia ortopédica. Além disso, médicos do hospital estariam há sete meses sem receber salários e utilizando instrumentos avariados. A equipe da ortopedia da unidade estaria realizando apenas 5 a 6 cirurgias ortopédicas por dia, o que seria insuficiente para atender a demanda de 19 municípios da região.

Os relatos da médica e da servidora da Central de Regulação são acompanhados de documentos, fotografias e demais provas comprobatórias da situação denunciada. A apuração das denúncias está em andamento no Ministério Público e está sendo conduzida pela promotora de Justiça Joana Bortoni Ninis.

 

GOVERNO DO ESTADO MUDA SISTEMA REGULAÇÃO

Depois da audiência e das denúncias feitas, a Secretaria de Estado de Saúde (SES-MT) reassumiu a gestão da Central de Regulação em Rondonópolis, que anteriormente funcionava em cogestão com o município. A medida torna o acesso aos serviços de saúde mais democrático, adequando os fluxos de atendimentos e priorizando as demandas de toda a região.

O Hospital Regional de Rondonópolis, por exemplo, é referência em alta complexidade para 19 municípios de Mato Grosso, entre eles Campo Verde e Primavera do Leste.

Com a gestão direta do Estado, a Central de Regulação funcionará por meio do Sisreg III, um sistema oficial que registra e mapeia as demandas locais. O Decreto Governamental nº 670, de 2020, determina a utilização deste sistema de regulação como forma de otimizar os processos.

Além desta ação de aprimoramento da Central de Regulação, a SES-MT trabalha na readequação de 26 leitos do Hospital Regional de Rondonópolis, que antes eram destinados especificamente para Covid-19.

VÍDEO

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