13 de Junho de2024


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NOTÍCIAS DE CAMPO VERDE Segunda-feira, 09 de Março de 2020, 09:16 - A | A

Segunda-feira, 09 de Março de 2020, 09h:16 - A | A

ESPECIAL DIA DAS MULHERES

A força do trabalho voluntário das mulheres campo-verdenses

Mulheres fortes e trabalhadoras que doam boa parte da sua vida para fazer o bem para a comunidade.

Paulo Pietro
Campo Verde

Em homenagem ao Dia Internacional das Mulheres, que foi no ultimo domingo (08), O Diário realizou uma matéria especial com algumas das mulheres que realizam trabalhos voluntários voltados a população de Campo Verde. Essas guerreiras tem em comum o sucesso em suas vidas pessoais e a vontade de fazer a diferença na sociedade, mesmo sem ganhar nada e dividindo essas tarefas com seus diversos afazeres.

 

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Em meio a um turbilhão de atividades, que com certeza incapacitaria a maioria dos homens, nossa primeira personagem é empresária, presidente da ACICAVE, fundadora da MAE, vice-presidente da ASAS, colaboradora ativa da comunidade católica, além de diversas outras atividades que realiza de forma voluntária, estamos falando de Lori Glesse, 54 anos, uma das mulheres mais participativas da sociedade campo-verdense. 

 

Lori nos contou que essa disposição para o trabalho voluntário começou ainda jovem, quando morava no Paraná, “eu sempre atuei em trabalhos voluntários, muitas vezes até mesmo sem ter essa intensão acabava me envolvendo, quando percebia estava totalmente inserida. Por algumas situações diversas, alheias a minha vontade, eu tive que me afastar dessas atividades por um tempo, mas nos últimos três anos tenho me dedicado bastante a essas funções. Graças a Deus eu sempre tive êxito na minha vida profissional em todos os sentidos, sou moradora de Campo Verde há 31 anos, então encontrei essa disposição para tentar fazer algo mais para que as outras pessoas estejam bem, não adianta ser feliz sozinha, quero que todos estejam contentes. Sem contar que o trabalho voluntário me traz muita satisfação, ver um sorriso no rosto que não tem custo financeiro, mas um grande valor sentimental e afetivo.”

 

Mas se colocar em uma posição de destaque, mesmo que for de maneira voluntária para uma mulher, em mundo que ainda é dirigido por homens não é fácil, mas para ela as coisas aconteceram de maneira natural, “ tem sim essa certa taxação, ela sempre existiu e acredito que sempre vai existir, mas procuramos sempre nos dar ao respeito e as pessoas saberem quem nós somos devido as nossas atitudes, que existem limites a serem respeitados, o que falam lá fora não me interessa, eu sempre fiz minha parte, tenho sentimento de dever cumprido como mãe, como mulher, como cidadã de uma cidade que eu abracei e amo muito.”

 

Lori além das atividades como presidente da entidade representativa do comércio local, é presidente da MAE, instituição sem fins lucrativos que dá cursos e apoio social para outras mulheres, que estão em situação de vulnerabilidade, depressão e outras situações, o objetivo é fazer com essas mulheres sejam cada vez mais ativas, consigam obter renda e viver uma vida feliz. 

 

Já nossa segunda personagem é a advogada ex-presidente da OAB por dois anos e no segundo mandato presidência da ASAS, instituição que gere o Hospital Coração de Jesus.  Maria Frazão Zunta é mais uma mulher que doa boa parte do seu tempo, fazendo o bem para comunidade, deixando um legado por onde passa. 

 

 “Eu sempre gostei de realizar trabalhos voluntários, contribuir de alguma maneira com a sociedade, nesta oportunidade, quando fui presidente da OAB , acabamos colaborando bastante com a sociedade civil, já na presidência da ASAS realizamos um trabalho que envolve diretamente todas as pessoas de Campo Verde, eu acredito que hospital seja a segunda instituição mais importante da cidade, depois somente da prefeitura, pois se trata da porta de entrada de toda a população de Campo Verde no momento em que mais precisam, que é na hora de uma emergência ou doença,” pontuou a presidente. 

 

Depois que a ASAS começou a administrar do HMCJ, houveram muitas mudanças que no inicio até geraram discussões, mas logo a situação se acalmou e eles puderam implementar um sistema de administração eficiente, agregando vários parceiros, tanto pessoas físicas, instituições e empresas na Campanha Amigos do Coração, que angaria recursos que são 100% voltados para as melhorias do hospital, que são utilizados por toda a população de Campo Verde e região que necessita de atendimento médico. 

 

“Sempre recebemos muitos elogios, mas também existem críticas, que temos que levar em consideração e melhorar cada vez mais, afinal administrar um hospital é extremamente complexo. Mas sou muito tranquila quanto a isso, fazemos esse trabalho de maneira voluntária, tanto eu quanto toda a diretoria e conselho da ASAS, com muito amor e responsabilidade. Graças a Deus a sociedade abraçou o HMCJ, a maioria das pessoas acreditam e confiam no nosso trabalho e isso nos motiva cada vez mais,” finalizou Maria. 

 

Já nossa terceira entrevistada,  Maria Garbúgio, é produtora rural, mãe, empreendedora e acima de tudo uma mulher que fez e faz a diferença na vida de milhares de crianças, adolescentes e adultos que possuem deficiência física ou cognitiva em Campo Verde, ela é a eterna presidente da APAE do município. 

 

Como nossas outras entrevistadas, Maria começou cedo sua vida de voluntarismo, sempre tentou ajudar as pessoas menos favorecidas de alguma maneira, além da APAE , Maria também teve papel importante no renascimento da Pastoral da Criança e do Adolescente da cidade. Mas realmente encontrou sua casa em 2011 quando decidiu encarar pela primeira vez a presidência da APAE. 

 

Ela lembrou que “sempre procuraram agente para ajudar de alguma maneira, e todas as vezes que essa ajuda está dentro do meu alcance nós realizamos, quando às vezes por um motivo ou outro não consegui até fiquei triste. Então é uma coisa que está dentro da gente, eu sempre penso que é melhor poder ajudar alguém de alguma maneira do que ser ajudado, é complicado definir em uma frase o por que desse voluntariado, mas as situações foram acontecendo e sempre tive muito apoio do meu marido quando era vivo e também dos meus filhos.”

 

Quanto a APAE ela explica que “no inicio devido a essas ações voluntárias, me perguntaram se eu queria ser a presidente, justamente por ser de uma família pioneira na cidade que tem certa credibilidade, para fazer um trabalho sério na instituição. No inicio confesso que fiquei indecisa, mas na época eu conversei com meu marido e ele disse que não sabia o motivo de eu ainda não ter aceitado, eu pensei que ele iria me desestimular, mas pelo contrário, disse que eu deveria pegar essa desafio, pois as coisas iriam andar da melhor maneira possível. E eu sempre fui assim, quando eu tenho um compromisso eu me dedico, se não dou conta de fazer bem feito, também peço que outra pessoa mais qualificada assumam.”

 

Maria foi presidente da APAE por seis anos, depois deu a vaga para Lázaro de Souza, mas foi eleita novamente presidente da APAE em 2020, onde renovou sua diretoria e está mais uma vez a frente da instituição que é uma das mais respeitadas e organizadas do estado de Mato Grosso. 

 

Nossa última personagem, talvez seja uma das mulheres mais trabalhadoras de Campo Verde, que vem há muito tempo dedicando parte de sua vida a várias lutas e causas sociais de maneira voluntária. Izilda Alves Fernandes é um exemplo de voluntarismo. 

 

E isso segundo ela aconteceu de maneira muito natural, “eu nasci assim, minha mãe era parteira, ajudava as mulheres a dar a luz e não recebia nada em troca, já aos três anos de idade eu costumava acompanhar minha mãe nesta jornada. Aos 12 anos, nos meus horários vagos da escola, eu ia a um convento de freiras, lá eu aprendi muito sobre o voluntarismo, na época ajudava a cuidar de pessoas doentes, arrecadava alimentos, e assim por diante, sempre tive alguma atividade ligada ao trabalho voluntário.”

 

Ela frisou que muitas vezes, as ações em que ela participa, tem como incentivadoras outras mulheres empoderadas, que preferem ficar no anonimato, principalmente as mulheres ligadas ao agronegócio. “São elas que me impulsionam a realizar esses trabalhos e ajudam muito da maneira que podem, sempre pensando num futuro melhor para Campo Verde, quando eu cheguei aqui o objetivo era fazer uma cidade melhor para os meus filhos, hoje faço o mesmo pensando nos meus netos, isso me da cada vez mais motivação,” afirmou Izilda.

 

Atualmente Izilda tem um projeto voltado para meio ambiente, cada criança registrada na cidade ganha uma muda de árvore que é doada pelo cartório Nesken, mudas essas produzidas pela própria Izilda em sua residência. Ela estima que já distribuiu mais de 25 mil mudas em Campo Verde e disse que se 10% dessas mudas foram aproveitadas, com certeza o meio ambiente vai agradecer muito. 

 

Além disso, ela realiza ações voltadas aos mais carentes na Páscoa, Dia das Crianças, Natal entre outras datas comemorativas, onde através dessas parcerias fiéis arrecada doações que são destinadas a população mais necessitada dom município. 

 

“O voluntariado é uma relação humana, não uma atividade, para aprendizagem humana o que mais conta é justamente o contato com o semelhante de forma intensa, agente doa, mas também recebe, aprendemos muito quando doamos, não podemos exerce-la como uma obrigação imposta, esse trabalho tem que nascer do coração, para isso tem que ter um poder de decisão. Acredito que quer fazer a diferença faz, quem sendo isso vai, e isso é nato em mim, sempre tive o apoio da minha família do meu marido, e eles são a chave para permitirem me doar, muitas deixo as minhas vaidades de lado para realizar esse trabalho . Eu sou feliz fazendo isso e acredito que depende somente de cada um fazer sua parte, desse poder de decisão que está dentro de cada um, que toca nos seus corações,” finalizou Izilda.  

 

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