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NOTÍCIAS DE CAMPO VERDE Terça-feira, 27 de Setembro de 2016, 13:38 - A | A

Terça-feira, 27 de Setembro de 2016, 13h:38 - A | A

SUICÍDIO

Setembro Amarelo liga o alerta da população

Em Campo Verde foram quatro casos em 2016

Paulo Pietro

Este ano Campo Verde teve um número triste de ser contabilizado, que vem de encontro com a campanha Setembro Amarelo, do Governo federal, é uma campanha de conscientização sobre a prevenção do suicídio, com o objetivo direto de alertar a população a respeito da realidade do suicídio no Brasil e no mundo e suas formas de prevenção. Ocorre no mês de setembro, desde 2014, por meio de identificação de locais públicos e particulares com a cor amarela e ampla divulgação de informações.

No município já foram pelo menos quatro casos de suicídio registrados em 2016, e outros tentados. O que chama atenção é que a maioria dos casos envolvem jovens com menos 30 anos. Não se tem uma explicação lógica para os fatos, apesar de impressionar pela quantidade e jovialidade das vítimas, nenhum caso foi relacionado a outro.

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Aqui no Brasil, estima-se que o suicídio é a terceira causa de morte entre jovens, logo atrás de acidentes e homicídios. Alexandrina Meleiro, psiquiatra do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da USP, afirma que ”antes as taxas eram maiores na terceira idade. Hoje a gente observa que, entre os jovens, elas sobem assustadoramente”. Estima-se que entre os jovens, a taxa multiplicou-se por dez de 1980 a 2000: de 0,4 para 4 a cada 100 mil pessoas e esse número é crescente nos anos seguintes. Uma pesquisa aponta que entre as mulheres jovens em 2015, essa já é a segunda maior causa de morte. Ficando atrás somente da violência urbana, entre os homens além da violência urbana, os acidentes de transito são os únicos a causar mais mortes que o suicídio no Brasil.

O câncer, a AIDS e demais doenças sexualmente transmissíveis (DSTs) há duas ou três décadas eram rodeadas de tabus e viam o número de suas vítimas aumentando a olhos nus. Foi necessário o esforço coletivo, liderado por pessoas corajosas e organizações engajadas, para quebrar esses tabus, falando sobre o assunto, esclarecendo, conscientizando e estimulando a prevenção para reverter esse cenário.

Um problema de saúde pública que vive atualmente a situação do tabu e do aumento de suas vítimas é o suicídio. Pelos números oficiais, são 32 brasileiros mortos por dia, taxa superior às vítimas da AIDS e da maioria dos tipos de câncer. Tem sido um mal silencioso, pois as pessoas fogem do assunto e, por medo ou desconhecimento, não veem os sinais de que uma pessoa próxima está com ideias suicidas.      

Por isso a ideia de se criar esse mês de conscientização, para que as pessoas comessem a levar a sério quando uma pessoa começa a tender para pensamentos que levem ao suicídio. É necessário que a população se informe sobre como identificar esse problema e nesse mês diversas atividades ligadas ao tema foram realizadas nos municípios do Brasil, inclusive em Campo Verde.   

 

 

Mitos e verdades sobre o comportamento suicida

Mito1: as pessoas que falam sobre o suicídio não farão mal a si

próprias, pois querem apenas chamar a atenção. Isto é FALSO!

Todas as ameaças de se fazer mal, devem ser levadas muito a sério.

 

Mito 2: o suicídio é sempre impulsivo e acontece sem aviso. FALSO!

Morrer pelas suas próprias mãos pode parecer ter sido

impulsivo, mas o suicídio pode ter sido ponderado durante algum

tempo. Muitos indivíduos suicidas comunicam algum tipo de

mensagem verbal ou comportamental sobre as suas ideações da

intenção de se fazerem mal.

 

 

Mito 3: os indivíduos suicidas querem mesmo morrer ou estão

decididos a matar-se. FALSO.

A maioria das pessoas que se sentem suicidas partilham os seus pensamentos com pelo menos uma outra pessoa, ou ligam para uma linha telefónica de

emergência ou para um médico, o que constitui prova de

ambivalência, e não de empenhamento em se matar.

 

 

Mito 4: quando um indivíduo mostra sinais de melhoria ou

sobrevive a uma tentativa de suicídio, está fora de perigo. FALSO!

Na verdade, um dos períodos mais perigosos é imediatamente depois da crise, ou quando a pessoa está no hospital, na sequência de uma tentativa. A semana que se segue à alta do hospital é um período durante o qual a pessoa está

particularmente fragilizada e em perigo de se fazer mal. Como um

preditor do comportamento futuro é o comportamento passado, a

pessoa suicida muitas vezes continua em risco.

 

 

Mito 5: o suicídio é sempre hereditário. FALSO!

Nem todos os suicídios podem ser associados à hereditariedade e estudos

conclusivos são limitados. Uma história familiar de suicídio, no

entanto, é um factor de risco importante para o comportamento

suicida, particularmente em famílias onde a depressão é comum.

 

 

Mito 6: os indivíduos que tentam ou cometem suicídio têm

sempre alguma perturbação mental. FALSO!

 

Os comportamentos suicidas têm sido associados à depressão, abuso de substâncias, esquizofrenia e outras perturbações mentais, além de aos

comportamentos destrutivos e agressivos. No entanto, esta

associação não deve ser sobrestimada. A proporção relativa

destas perturbações varia de lugar para lugar e há casos em que

nenhuma perturbação mental foi detectada.

 

 

Mito 7: se um conselheiro falar com um cliente sobre suicídio, o

conselheiro está a dar a ideia de suicídio à pessoa. FALSO!

Um conselheiro obviamente não causa comportamento suicida

simplesmente por perguntar aos clientes se estão a considerar

fazer-se mal. Na verdade, reconhecer que o estado emocional do

indivíduo é real, e tentar normalizar a situação induzida pelo stress

são componentes necessários para a redução da ideação

suicida.

 

 

Mito 8: o suicídio só acontece “àqueles outros tipos de pessoas,”

não a nós. FALSO!

O suicídio acontece a todos os tipos de pessoas e encontra-se em todos os tipos de sistemas sociais e de famílias.

 

 

Mito 9: após uma pessoa tentar cometer suicídio uma vez, nunca

voltará a tentar novamente. FALSO!

 

Na verdade, as tentativas de suicídio são um preditor crucial do suicídio

Mito 10: as crianças não cometem suicídio dado que não

entendem que a morte é final e são cognitivamente incapazes de

se empenhar num ato suicida. FALSO!

Embora seja raro, as crianças cometem suicídio e, qualquer gesto, em

qualquer idade, deve ser levado muito seriamente.

VÍDEO

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